terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Prenda-me se for capaz

Acho que poucas coisas são tão angustiantes do que lidar com a liberdade alheia. Talvez mexer com toda a renda de uma pessoa ou com a sua saúde.

O fato é que, decidir ou fazer cumprir a restrição sobre a vida de alguém é algo que me tira o sono a cada três dias.

A reportagem bonitinha do meio-dia, trazendo o cara já lá no presídio, cumprindo ou aguardando sua pena, nem sequer expõe a sombra da responsabilidade havida para que houvesse aquela prisão.

O backstage envolve atos incontroversos, onde se é exigida uma conduta divina, livre de falhas e de erros, apesar de todo o procedimento ser realizado por meros mortais.

Tratar a liberdade alheia é tratar do bem mais valioso que a justiça terrena pode dispor. Não retira a alma de alguém, coisificando-a, mas retira-lhe o direito de decidir sobre os seus próprios atos. É dar uma destinação humilhante e degradante a uma pessoa que fez por merecer uma pena.

Não tenho o interesse de discutir qual o melhor ou o pior método de se punir alguém que se enquadre na pretensão teórica e abstrata da lei penal, mas apenas comentar o quão é frustrante ter de lidar com isso, administrando o poder que lhe é conferido por uma sociedade indiferente ao sucesso mas extremamente rigorosa e intolerável quanto ao erro.

E o ser humano, que se acha superior às demais raças, justamente por ser "racional", nem sequer se dá o luxo de regular criteriosamente os parâmetros de aferição da liberdade dos seus semelhantes, uma vez que tanto trabalho empregado na confecção de dispositivos de leis e ordenamentos jurídicos simplesmente desaguam em fatores políticos, quando não em critérios bastante simples de atribuições funcionais. Afinal, não basta subir muito na carreira jurídica para que se tenha bastante poder nas mãos, principalmente em relação à liberdade de outrem.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

"Stampede of Thoughts"

Ok. Foram necessários somente ¾ de uma chícara de café para que o lobo frontal do meu córtex cerebral entrasse em colapso. Trocando em miúdos, isso significa que minha cabeça entrou naquela de "pensar sem eu mandar".

Eu só queria algumas horas de estudo livre da perseguição insaciável da criatura Inconsciência, que insiste em me caçar todos os dias da minha vida, a mando do seu mestre, o Sono.

Pois bem. Onde está ela agora? Estendo os meus punhos para que venha e recoloque os seus grilhões, a fim de que me leve para o seu mais profundo calabouço até o próximo pôr do sol (que, por sinal, agora ficou bem sem graça e deselegante sem os hífens, de acordo com o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa).

O café libertou o Mr. Hyde adormecido no meu subconsciente, que agora fica lançando todos os meus pensamentos para fora da minha cabeça. E parece que ele não segue uma ordem definida, arremessando idéias aleatoriamente e numa velocidade que chega a estontear por vezes.

Suponho que, a essa hora, Dr. Jekyll deva estar passeando de mãos dadas com minha Inconsciência em algum lugar bem longe daqui. E sem pressa de voltar.

E de lá de dentro, a uma hora dessas, ainda surgem um Renato Russo, um Niemeyer e um Luís Fernando Veríssimo, todos com ótimas idéias e querendo produzir. Pena que todos eles ficam gritando ao mesmo tempo, sem parar nem mesmo para respirar. E eu no meio deles três, tentando ainda salvar os pensamentos atirados pelo Jekyll, fazendo um tremendo esforço para saber a quem escutar.

Pelo jeito foi o Luís que ganhou esta noite. Ou será que quem ganhou 'a' noite foi o Mr. Hyde?