terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Prenda-me se for capaz

Acho que poucas coisas são tão angustiantes do que lidar com a liberdade alheia. Talvez mexer com toda a renda de uma pessoa ou com a sua saúde.

O fato é que, decidir ou fazer cumprir a restrição sobre a vida de alguém é algo que me tira o sono a cada três dias.

A reportagem bonitinha do meio-dia, trazendo o cara já lá no presídio, cumprindo ou aguardando sua pena, nem sequer expõe a sombra da responsabilidade havida para que houvesse aquela prisão.

O backstage envolve atos incontroversos, onde se é exigida uma conduta divina, livre de falhas e de erros, apesar de todo o procedimento ser realizado por meros mortais.

Tratar a liberdade alheia é tratar do bem mais valioso que a justiça terrena pode dispor. Não retira a alma de alguém, coisificando-a, mas retira-lhe o direito de decidir sobre os seus próprios atos. É dar uma destinação humilhante e degradante a uma pessoa que fez por merecer uma pena.

Não tenho o interesse de discutir qual o melhor ou o pior método de se punir alguém que se enquadre na pretensão teórica e abstrata da lei penal, mas apenas comentar o quão é frustrante ter de lidar com isso, administrando o poder que lhe é conferido por uma sociedade indiferente ao sucesso mas extremamente rigorosa e intolerável quanto ao erro.

E o ser humano, que se acha superior às demais raças, justamente por ser "racional", nem sequer se dá o luxo de regular criteriosamente os parâmetros de aferição da liberdade dos seus semelhantes, uma vez que tanto trabalho empregado na confecção de dispositivos de leis e ordenamentos jurídicos simplesmente desaguam em fatores políticos, quando não em critérios bastante simples de atribuições funcionais. Afinal, não basta subir muito na carreira jurídica para que se tenha bastante poder nas mãos, principalmente em relação à liberdade de outrem.

Nenhum comentário: